Editorial LaborAt
Identidade

O Contexto
A imprensa acadêmico-científica tem um papel a desempenhar no desenvolvimento da cultura de produção de conhecimento em paralelo àquilo que se tem consagrado como meio de publicização. Desde o advento da imprensa moderna até os dias de hoje, o modelo essencial de publicações científicas vem acompanhando as mudanças relativas ao modo de produção de conhecimento, contudo, foi propriamente a partir do século passado que tais mudanças tornaram-se mais e mais expressivas. Paulatinamente, as culturas acadêmico-científicas nas diferentes áreas do conhecimento vêm substituindo as clássicas obras de referência por obras de menor porte, de conteúdo de caráter cada vez mais focal e específico, generalizando um modelo de produção de conhecimento balizado em práticas de pesquisa desenvolvidas em áreas técnicas e naturais. A reboque, as ciências humanas, em seu auge no século passado, construiriam para si uma cultura baseada em metáforas científicas, devidamente ancoradas em sistemas argumentativos conhecidos como paradigmas, cada qual disputando com os demais a primazia de ser a verdadeira ciência. Como toda metáfora, transitória, os paradigmas das humanidades perderiam força à medida que se avançava para o século XXI, um século sem precedentes, assustador e revolucionário. Esvaíram-se as ideias juntamente com seus sistemas argumentativos, mas se preservam as práticas, as pesquisas e tudo mais que passam a se sustentar em ritos metodológicos, a metáfora do laboratório de Bruno Latour, que tem no cenário da pesquisa a expectativa de validação do conhecimento. E assim, movida pelas práticas de pesquisa, a imprensa acadêmico-científica chega ao segundo milênio servindo à disseminação de relatórios de pesquisa, curtos, focais, centrados na aplicação de métodos e, em alguns casos, trazendo alguma reflexão teórica, breve, apenas o necessário para justificar a pesquisa realizada.
Por outro lado, fora da imprensa acadêmico-científica, toda sorte de ideias circula livremente pelos espaços cibernéticos e, o que seria a maior virtude do milênio, torna-se um pesadelo em que tudo e todos – até a inteligência artificial – têm algo de presumidamente verdadeiro a compartilhar com o próximo. Pouco importa ser verossímil ou não; vale o dizer, o sofisma, e ser bem recebido. Se bem dito, vira verdade, e o autor, influencer. Neste caos informacional, a imprensa acadêmica tem sido absorvida de través, como instrumento de validação aplicável a qualquer fim, citadas a esmo como em expressões do tipo “há estudos que comprovam”, “tenho dados de uma pesquisa publicados em revista científica”, ou toda sorte de alusões a pesquisas publicadas em periódicos das variadas áreas de conhecimento, muitas das quais em fase ainda de processamento experimental, cujo mérito não se pretende questionar aqui.
Seja num caso ou no outro, o que há em comum é o desapreço pelo exercício da ideia como uma construção intelectual essencial, anterior às práticas de pesquisa, especialmente quando se trata de ciências humanas, aquelas que, portanto, aludem investigar o domínio das representações simbólicas. Para além delas – as representações – só existem fatos que nos dão a sugerir vestígios do aparato mental dos quais derivaram. O aparato simbólico, ou seja, aquilo que do Homem é estudado pelas ciências humanas é sempre e irrecorrivelmente uma construção teórica. Duas construções teóricas distintas podem derivar interpretações as mais diversas entre si relativamente a um mesmo conjunto de fatos observados. Por esta razão, uma cultura acadêmica – e, consequentemente, uma cultura de imprensa acadêmica – que privilegie excessivamente a produção de dados de pesquisa em prejuízo do desenvolvimento de ideias, está sujeita a servir de mote a qualquer sofisma, que uma vez bem dito, exalte alguma legitimidade.
O Movimento Open Access
Em resposta às circunstâncias que afetam a imprensa acadêmica contemporânea, a comunidade científica internacional mobiliza-se para desenvolver uma cultura de livre acesso à produção derivada dos centros de pesquisa. Mais do que plataformas de acesso gratuito à informação, o movimento compromete-se com o desenvolvimento de espaços de disseminação de ideias e produtos acadêmicos que extrapolam as vocações editoriais dos meios hoje convencionados, sobretudo, nos periódicos acadêmico-científicos. A ideia básica é que cada centro de produção de conhecimento mantenha um canal de disseminação do material que represente a sua construção teórico-científica, considerando-se aquilo que melhor caracterize sua contribuição para o desenvolvimento da área de investigação e dos princípios com base nos quais se sustentam suas pesquisas. O desafio do movimento como um todo reside em como assegurar a legitimidade da informação veiculada nos diferentes canais, a fim de garantir que estes possam constituir fontes confiáveis de referências acadêmico-científicas e, ao mesmo tempo, não se tornem reféns de normatividades de tal ordem que inviabilizem o espaço para o ensaio de novos paradigmas e formatos de publicação.


A Missão
1 O Editorial LaboraAt é um canal de imprensa acadêmico-científica totalmente open access e sem fins lucrativos de qualquer ordem, dedicado a oferecer espaço editorial para todas as formas de publicações na área de educação social inclusiva, especialmente sob a perspectiva da inclusão escolar e das concepções gerais dos sistemas de educação mediada ou a distância.
2 Não obstante a relevância de pesquisas associadas, o material publicável deve necessariamente apresentar contribuições ao estudo teórico dos diferentes objetos formais e perspectivas de abordagem relacionados à área da educação social inclusiva. A iniciativa de criação do Editorial do LaborAt atende à necessidade de se fomentar espaço para a geração de teorias de base nacionais voltadas à educação brasileira e seu povo, sem as quais nenhum modelo ou programa de educação social inclusiva virá a ser plenamente bem-sucedido. Por isso, privilegiamos a publicação de produção autoral exclusiva, produto de concepção teórica desenvolvida a partir de pesquisas realizadas em centros de pesquisa brasileiros ou latino-americanos.
